Netiqueta

4/Julho/2009 by ppanhoto

Quando comecei a usar a internet, em 1996, ainda se falava sobre Netiqueta: a etiqueta para Internet, que é um conjunto de regras para se comunicar pela rede sem ofender outros. Pelo menos no IRC  e mesmo no ICQ, as pessoas respeitavam essa etiqueta e, eventualmente, eram bem intolerantes com quem não o fazia … Eu mesmo fui banido de alguns canais por descuidar da etiqueta.

Nessa época, lembro que boa parte da grosseria que se via ficava concentrada nas salas de bate-papo do UOL, que não tinham restrições de acesso. A mesma grosseria que se popularizou pelo Orkut e, depois, transbordou para o MSN Messenger (junto com o miguxês). Agora a baixaria está generalizada, seja em listas, e-mails pessoas e profissionais e especialmente em sites de relacionamentos e redes de comunicação. Todo muito agora é muito macho e fala tudo o que pensa (e fogem covardemente quando lêem o que não gostam) seja bloqueando um contato, ou apagando algum comentário.

Num momento nostálgico, encontrei este guia de etiqueta para internet: RFC 1855 ou FYI 28.

Don’t fear the reaper

4/Julho/2009 by ppanhoto

… e quando ele vier, será algo muito parecido com isso …

garras

Unbelievable / Search & Destroy

30/Junho/2009 by ppanhoto

Time to Pretend

14/Junho/2009 by ppanhoto

What are you looking at?

23/Novembro/2008 by ppanhoto

what are you looking at?

Cat and mouse

22/Novembro/2008 by ppanhoto
Cat and Mouse

Cat and Mouse

Ligar o foda-se

12/Novembro/2008 by ppanhoto

Hoje estou fazendo um exercício: “ligar o tal foda-se”. Isso no sentido de me desligar um pouco do trabalho. Ontem eu percebi que estava completamente estressado: agressivo além da conta, sempre na postura defensiva … Enfim, não era uma pessoa agradável de conviver.

Logo no começo, já percebi algumas coisas interessantes sobre minha postura. Qualquer comentário que eu recebia, eu reagia como se meu filho tivesse apanhado na escola (ou veio bilhete da professora ou o que seja). Não tenho filhos de verdade. Mas tratei meu trabalho como um. Olhando agora, por que eu encanei tanto?? Pensando bem. É algo que você concebe e cuida mas, no fim, aquilo não te pertence e você é apenas o responsável. Pensando melhor, agora se parece mais com criar uma criança.

Tive uma idéia interessante a respeito dessa criação de software (filhos). Passei muito tempo achando meu software a melhor coisa que eu já fiz e justamente esse sentimento é o mesmo que me empurra a rejeitar de cara qualquer crítica (construtiva ou destrutiva). Esse sentimento de paternidade superprotetor: quanto ele limita o desenvolvimento do projeto? Do mesmo jeito que aceitar tudo o que é conselho pode estragar um projeto (você não sabe a intenção de quem te aconselha e … no fim, ficam tantas coisinhas que o resultado não age de acordo nem com o que você esperava e nem com o que os outros esperavam), também o outro extremo é igualmente ruim: recusar todas as críticas também, no fim, acaba limitando o desenvolvimento do projeto pois você está tratando algo como acabado e perfeito …

Tem uma música aí?

17/Setembro/2008 by ppanhoto

Caso alguém leia isto, eu agradeceria muito qualquer indicação de músicas/bandas ou alguma coisa.

Bom, as últimas músicas “modernas” que ouvi foram do Killers, Kaiser Chiefs, Franz Ferdinand e R.E.M.

Desde então, tenho voltado meu gosto para a “plain old” (”boa e velha”) década de 80. Gostaria de acreditar que as coisas não estão tão ruins quanto eu imagino agora.

Desperdício inconsciente

22/Agosto/2008 by ppanhoto

Este assunto me procurou ontem à noite (talvez seja recorrente) : uma visão sobre como uma crença modela uma realidade.

Você se programa para viver de uma determinada forma e aquilo passa a ser a sua realidade, por mais casual possa parecer qualquer justificativa para a pessoa no dia-a-dia. Acho que o exemplo mais comum para (finalmente) ilustrar o que eu quero dizer é a programação do “não tenho *”. Este “*” pode ser qualquer coisa mercadoria material ou imaterial. As mais comuns são tempo, dinheiro ou liberdade.

A partir do momento que você se dispõe a “não ter” qualquer coisa, você só está realmente satisfeito enquanto não tem aquilo. É difícil saber como isso começa mas, pelo que vejo parece que isso é uma daquelas coisas que acontecem “desde sempre”. Talvez este comportamento seja a habilidade não desenvolvida de lidar com muito daquilo pois, normalmente,  o primeiro pensamento que vem no momento da fartura é algo do tipo “puxa vida, estou com tanto sobrando agora. O que eu vou fazer com isto?”. Também, normalmente, o resultado deste pensamento é sempre algum comportamento auto-destrutivo que implica numa perda rápida daquilo que “tanto queríamos”.

Se você está concentrado em algo que “não tem” mas quer ter, poderia responder para si mesmo “o que você faria com muito?”. Se a sua resposta fica em torno de como você poderia “gastar”, isto é um bom indicador de que você pode não saber ter aquilo. Creio que bom exercício seria cultivar, neste cenário de “se tivesse muito”, pensamentos sobre conservar aquele recurso e, provavelmente, isso será realidade algum dia.

Uma visão sobre o trânsito brasileiro

1/Julho/2008 by ppanhoto

Esta frase me ocorreu de repente, acho que foi no calor da discussão sobre a nova lei seca, mas desde aquele momento fez todo o sentido: “O motorista médio brasileiro é um ser irracional”. Não dependendo da porcentagem alcoólica no sangue, a imprudência ainda segue. Constância (o que, acredito, faria todos chegarem em casa mais cedo ou ainda diminuiria a sensação de tempo perdido) é uma utopia. Se o trânsito está livre, então quem pode mais chora menos. Todos querem mostrar a potência de seus motores com ainda 60 meses para pagar. Isso vai até que, por algum descuido ou despreparo, um acidente acontece. Logo em seguida, aquele ritmo louco de corrida se transforma em um gigante engarrafamento. Todos simplesmente param para dar atenção ao animal ferido na estrada (por “animal ferido”, entenda o que quiser. Um carro capotado, uma pessoa atropelada, um guincho etc). Lógico, passado o ponto de admirar o acidente (como se nunca houvesse acontecido um), o ciclo recomeça: as pessoas acham que perderam muito tempo, aceleram o que não podem, se descuidam e outro acidente e outro congestionamento e assim por diante.

Sinalizar suas intenções é absolutamente proibido. Seja você um pedestre querendo atravessar em uma faixa (sem um semáforo) ou simplesmente ligar a seta para mudar de faixa. Isto causa um certo pânico no motorista típico, como quem vai perder exatamente aquele segundo mais importante de sua vida e justamente por isso ele tem que defender seu território (sua pista!). Conseqüência lógica, ele acelera e mais uma chance de acidente.

Ah sim, e as buzinas. São úteis quando bem usadas. Eu acredito que uso a buzina com moderação. Normalmente, me presto ao serviço público de “despertador de semáforo”. Logo que o sinal abre, eu buzino e as pessoas andam. Normalmente funciona. Mas, voltando ao caso da buzina irracional. Parece que ela diz “COMO VOCÊ NÃO ME VIU?? EU PODERIA PASSAR POR CIMA DE VOCÊ!”. Normalmente ela vem acompanhada de uma pisada no freio (lembra-se daquele segundo mais precioso da vida do motorista?? Olha ele aqui de novo… ele tem que pisar no freio … mas isso não vai passar em branco, vai uma buzinada na orelha para assustar quem atravessa meu caminho!). Com isso, você vê buzinas em algumas situações absurdas, tais como um fulano que buzina para um catador de papel! O sujeito já está puxando aquela carroça pesada … Nunca que ele vai competir com o motor daquele SUV que buzina. Ou então, buzinam para carros quebrados: “MAS COMO VOCÊ NÃO ANDA??” como se fosse alguma greve do outro motorista. Sem falar na pista da direita.

Ainda há outras barbaridades que podem ser mencionadas, tais como as confluências. Estas são terríveis porque (não sei como) é tão difícil intercalar dois fluxos para que as duas filas andem. Quem consegue fechar o outro põe a sua fila andando e coloca os da fila rival em desespero até que um deles consiga fechar de volta e colocar toda a pista para andar. Este caso ainda está relacionado aos passeios pelo acostamento que funcionam assim: o sujeito está parado na estrada, pega o acostamento e, na iminência de polícia, ele cria uma confluência o que congestiona tudo para o outro que está lá atrás e também resolve pegar o acostamento….

Semáforos também são um tópico interessante no comportamento racional (o que me levou a atuar como  “despertador”). Notei o seguinte: em congestionamentos, todos estão parados no semáforo verde e começam a andar no amarelo. Logo em seguida vem o vermelho e como muitos tiveram pouco tempo para andar, eles acabam fechando o cruzamento o que incorre em mais gente parada no sinal verde e assim por diante.

Curiosamente, todos os casos que citei parecem formar ciclos de repetições. Basta acontecer uma vez e raramente alguém vai ter a cabeça no lugar para quebrar o ciclo. (Daqui veio o pensamento original de que o motorista é irracional).

Concluindo, acho que até na selva há mais ética do que no trânsito de uma grande capital brasileira. É justificado, porque lá ninguém tem pressa. E essa “selvageria” do trânsito me leva a outro pensamento interessante: “Cada segundo da vida que é desperdiçado por (causa de) outros é muito mais importante do que aqueles que eu mesmo desperdicei (por minha conta)”.