Culpa: O recheio saboroso de um vício

By ppanhoto

Hoje eu percebi uma coisa interessante: eu senti prazer em sentir culpa. Eu já não faço uma dieta muito boa e sei disso. Hoje foi um dia em que eu abusei.

Começou com aquela vontade de comer besteira (sei que este é o meu vício não altera comportamento por isso é socialmente aceitável). Eu estava consciente do que fazia. Sabia que eu não precisava fazer isso e que já era demais. A uma certa altura, esse pensamento já era uma obsessão: eu não iria me sentir em paz enquanto eu não comesse besteira. Tomei coragem, fui e fiz o que fiz com gosto. Bom, quando eu acabei de comer, a primeira impressão foi a culpa: “puxa vida, por que eu fiz isso??”. Algum tempo depois, eu percebi que, ainda sentindo culpa, eu vi que foi justamente a culpa que trouxe aquela paz que eu não sentiria se não cometesse nenhum abuso hoje.

Eu estava no controle e mesmo assim escolhi o caminho “errado”. Mesmo assim, foi a culpa por ter errado que possivelmente vai me empurrar a cometer o mesmo deslize novamente. Fico agora me perguntando se este raciocínio não se aplica para qualquer vício.

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4 Respostas para “Culpa: O recheio saboroso de um vício”

  1. Caco o Sapo Diz:

    Sei lá. desafiar a culpa, vez ou outra, é legal (e, acho, até saudável). mas quando é a culpa pela culpa, não vejo muito lucro…

  2. ppanhoto Diz:

    De fato, não há nenhum desafio aqui. Você cede a uma tentação e se sente culpado depois. Nesta experiência, em particular, eu percebi que senti prazer em me sentir culpado. Eu sei que fiz coisa errada porém, o ciclo se fecha da seguinte forma”eu pequei, me arrependo portanto estou zerado e agora posso pecar de novo”. Esta última frase devo o crédito à Tatiane que me disse no dia em que leu mas só agora eu entendi o que ela quis dizer.

  3. TT Diz:

    O pecado da gula, é o que me parece se tratar especificamente o post, e a culpa genérica é o tema “lato”. Bom, acho que a gula foi transformada em pecado (logo, passível de culpa, e punível), num momento em que a escassez de comida era grande, e comer demais significava deixar um bando de gente passando fome. Desde então a glutonaria é mal-vista. Agora a oferta de comida é muito grande (e se há fome no mundo, este é mais um problema político do que de distribuição de alimentos), e se sentir culpado por comer demais parece ser prazer pela culpa, já que se pode comer tanto quanto o dinheiro pode comprar. A culpa é um bichinho que rói, rói…

  4. TT Diz:

    Quando terá posts novos?

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