Arquivos para a Categoria ‘Psicologia do infeliz’

Boas intenções

8/Maio/2008

“Não existe gesto mal intencionado”. É uma frase que ouvi algumas vezes e repito o tempo todo. Eventualmente alguém me responde: “mas quando a boa intenção é para si, esse é tecnicamente um gesto mal intencionado”. Após pensar um pouco melhor no assunto, cheguei à conclusão que não é bem assim.

Fui a um cartório hoje e a moça que me atendeu parecia disposta a acabar com qualquer bom humor alheio. Isso me deu uma idéia para pensar a respeito, além de outros eventos recentes …

A pessoa que “tem boas intenções apenas para si” normalmente é uma pessoa infeliz. Aí o tipo de boa intenção vai aparecer conforme a necessidade (normalmente artificial) desta pessoa para se sentir melhor por mais um dia e evitar o suicídio. Acho que os casos mais comuns são das pessoas que gostariam de ter mais empatia alheia e por isso fazem o que podem para contaminar o ambiente com seu estado ou o daqueles que só se sentem bem quando estão comprando. Estes podem acabar prejudicando outros por dinheiro mas devem fazer isto pensando como um ato de sobrevivência para que sempre continue comprando e se sentindo amado por vendedores de toda forma…

Afeto sanfona

2/Maio/2008

Ultimamente eu tenho notado algum padrão em relações familiares que chamei de “afeto sanfona”. Funciona exatamente igual à “dieta sanfona” (um dia tá gordo, no outro tá magro). Neste caso, a relação é marcada por uma alternância entre crises sem motivo e uma paz derivada de um suposto esquecimento que, na verdade vai alimentar outra sucessão de crises.

A única coisa sobre os regimes de sanfona é que a maior parte do tempo eles sempre ficam do pior jeito para qualquer um (mais tempo gordos que magros, mais tempo em crise que em paz — Ou seria uma trégua??).

Culpa: O recheio saboroso de um vício

31/Março/2008

Hoje eu percebi uma coisa interessante: eu senti prazer em sentir culpa. Eu já não faço uma dieta muito boa e sei disso. Hoje foi um dia em que eu abusei.

Começou com aquela vontade de comer besteira (sei que este é o meu vício não altera comportamento por isso é socialmente aceitável). Eu estava consciente do que fazia. Sabia que eu não precisava fazer isso e que já era demais. A uma certa altura, esse pensamento já era uma obsessão: eu não iria me sentir em paz enquanto eu não comesse besteira. Tomei coragem, fui e fiz o que fiz com gosto. Bom, quando eu acabei de comer, a primeira impressão foi a culpa: “puxa vida, por que eu fiz isso??”. Algum tempo depois, eu percebi que, ainda sentindo culpa, eu vi que foi justamente a culpa que trouxe aquela paz que eu não sentiria se não cometesse nenhum abuso hoje.

Eu estava no controle e mesmo assim escolhi o caminho “errado”. Mesmo assim, foi a culpa por ter errado que possivelmente vai me empurrar a cometer o mesmo deslize novamente. Fico agora me perguntando se este raciocínio não se aplica para qualquer vício.